A Baviera e o Brasil. De 1500 a 2010

As relações entre a Baviera e o Brasil existem desde a época do descobrimento do "Novo Mundo" pelos europeus, e elas tem abrangido as vidas dos aventureiros, cientistas, artistas, missionários e empresários, de emigrantes simples e até de princesas reais.
No começo foram os comerciantes como os Welser (dinastia comercial da cidade de Augsburg, na Baviera), que se interessaram pelo "Novo Mundo" e mandaram fazer mapas para poderem orientar-se melhor. Um exemplo é um mapa de 1530, que vem até com imagens de homens e animais do novo continente.

Foi com os Welser que Ulrich Schmiedl, de Straubing, viajou em 1734 para "Presillg Landt" (antigo nome alemão para o Brasil). Depois de ter passado quase 20 anos na América do Sul, ele voltou e escreveu sobre suas viagens. Estes relatos marcaram fundamentalmente a imagem do Novo Mundo na Europa. Em 1627, Johann Gregor Aldenburgk, de Coburg, publicou seu livro "Westindianische Reise" (Viagem pelo Oeste da Índia, nome antigo da América Tropical).
Os padres jesuítas - muitos deles da Baviera - tentaram desde o século 17, com grande esforço e enfrentando muitos perigos, cristianizar os índios brasileiros e protegê-los dos caçadores de escravos.

No século 19, o intercâmbio tornou-se ainda mais intenso: Pesquisadores viajantes, artistas e emigrantes descobriram o Brasil para si. Dois pesquisadores da Baviera, Carl Friedrich Philipp Martius e Johann Baptist Spix, viajaram de 1817 a 1820, às ordens do rei bávaro, para o Brasil.

Desta viagem eles trouxeram objetos que até hoje enriquecem as Coleções de Ciências Naturais do Estado da Baviera e o Museu Etnográfico em Munique. Prova disso são lembranças e amostras dos trabalhos científicos, que vão desde preparados de animais e plantas até desenhos. Martius escreveu o primeiro romance brasileiro, "Frey Apollonio". A grande coleção de objetos científicos e etnográficos da princesa Therese dos Wittelsbacher (família real bávara) também até hoje faz parte do Museu Etnográfico. No seu livro "In den Brasilianischen Tropen" (No Brasil Tropical), e em vários relatórios de viagem, Therese descreveu as suas impressões e estudos de uma viagem ao Brasil de três meses, que ela fez em 1888.

O pintor Johann Moritz Rugendas, de Augsburg, em 1837 publicou a "Malerische Reise nach Brasilien" (Viagem Pitoresca ao Brasil), coleção de 100 litografias acompanhadas por um texto e tornando a imagem do Brasil na Europa muito popular.

O fato de uma princesa bávara ter sido Imperatriz do Brasil provavelmente é pouco conhecido. Amalie von Leuchtenberg, neta do primeiro rei bávaro Max Joseph, casou-se com o Imperador brasileiro Dom Pedro I, em 1829. Até hoje, o contrato matrimonial e luvas de couro de cobra do Imperador são prova disso.

Desde o século 19, o Brasil é um país interessante para os bávaros. Até hoje um grande número de descendentes de bávaros vive no Brasil, por exemplo, em São Bento do Sul.

As relações versáteis continuaram no século 20. Devem ser mencionadas algumas personalidades, como o pintor e professor Georg Johann Grimm ou o intermediador cultural, Theodor Heuberger, que incentivaram um intercâmbio intenso em várias áreas culturais. Além disso, um grande número de empresas bávaras abriu filiais e representações no Brasil, contribuindo a uma aproximação das culturas em todos os níveis. Entre instituições científicas também há um intenso intercâmbio, como entre a universidade de Erlangen e a de Joinville.
As atividades pastorais e sociais da Igreja Católica, até hoje oriundo da Baviera, constituem uma certa continuação das missões dos séculos 17 e 18.

Relações especiais vem de um lado diferente: do esporte nacional brasileiro, o futebol. Ex-jogadores como Paulo Sérgio, Zé Roberto, Lúcio e Breno Borges, bem como Dante, Luiz Gustavo e Rafinha no FC Bayern, e também jogos de alunos e adolescentes dos dois países, organizados por iniciativa privada, levam a encontros e amizades bávaro-brasileiros.





Johann Baptist Ritter von Spix

(1781 - 1826)

 

 

 

Carl Friedrich Philipp von Martius

(1794-1868)